O vestir do ouro terá a sua origem em tempos remotos, provavelmente pré-cristãos, havendo quem lhe atribua origem nos cultos solares celtas ou galaico-castrejos. Hoje faz parte da tradição mais enraizada da Cultura Minhota, onde as mulheres de cada família saem à rua, nas Festas da Senhora da Agonia, para mostrar à cidade o ouro de cada família. Esse ouro, passado entre as mulheres de geração em geração, foi sendo oferecido pelos homens da família às suas mulheres em dias especiais, de forma a compensar a dor e sofrimento causados durante as suas ausências no mar. De entre todo o ouro que vestem, sobressaem os corações, em chapa lisa ou em complexas peças de filigrana.
Legado da beleza, valores e sentimentos, o “Coração de Viana” entrou na cultura popular pela via religiosa associado à devoção ao Sagrado Coração de Jesus. Com o tempo, a sua popularidade, história e tradição acabou por conotar o coração com o amor profano, passando então a ser um símbolo de amor romântico.
Esta peça é inspirada no legado da minha avó, através do qual descobri a existência do coração, quer enquanto adorno, quer esculpido nos objetos que utilizava no dia-a-dia, como na lançadeira do seu tear.
Concebi a peça de acordo com a forma clássica do Coração de Viana que se tornou icónica, constituída pelas 3 principais componentes: o 𝗖𝗼𝗿𝗮𝗰̧𝗮̃𝗼, a maior e mais importante parte da peça, com a sua terminação em bico curvo que aponta para o lado esquerdo; a Coroa no topo; e no centro, a 𝗙𝗹𝗼𝗿 que disfarça e faz a união entre as duas partes, onde brilha o ouro.
A peça é composta por dezenas de flores, feitas em base de algodão de urdidura, utilizado antigamente no tear, todas elas preenchidas por ponto de cordão como se de filigrana se tratasse.
Materiais
Base - Burel
Motivos - Algodão de urdidura; Fio mistura algodão e seda; 11contas de prata dourada de Viana
Forro – Pano cru de algodão

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