Tive uma infância feliz. Andei de burro, apanhei rãs em riachos e charcos, subi descalça às árvores, brinquei à chuva, esmurrei joelhos, enterrei passarinhos. Em simultâneo, foram-me ensinados valores, transmitidas tradições e uma maneira de viver marcada por rituais — tudo o que era importante para crescer. 
Uma dessas tradições era a produção da chamada “Mantinha para o Cuco.” Acontecia na primavera e mais não era do que a aprendizagem de tricô pelas meninas de 5 ou 6 anos. Nessas ditas mantinhas eram utilizados fios e lãs, sobrantes de trabalhos tricotados pelas mães ou avós. Resultavam em peças coloridas, nunca superiores a 20 ou 30cm, com forma próxima de retângulos, sempre empenados e com malhas em falta, um resultado bem próprio do esforço de duas pequenas mãos que iniciavam a aprendizagem na utilização de fios e agulhas…
Quando pensei esta peça, vieram-me à ideia as Mantinhas do Cuco com que iniciei a aprendizagem do tricô e do croché na minha infância. Comecei por experimentar várias técnicas, utilizei diferentes tipos de fios e lãs, criei elementos vários sem lógica ou projeto definido, montei e desmontei… 
No dia em que terminei, senti a satisfação de ter executado uma peça que, apesar de imperfeita, tinha sido criada e realizada integralmente por mim e até resultara num trabalho satisfatório.
Materiais
Base - Fio de lã volumoso; Fio mistura de caxemira e lã
Motivos - Fio de algodão mercerizado com brilho; Fio mistura de algodão e seda; Fio de lã de espessura  robusta; Fio 100% lã de ovelha; Fio 100% Alpaca; Fio mistura de lã Alpaca e lã Merino, mesclada; Botões de madrepérola
Forro - Serapilheira
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