Nasceu entre montanhas agrestes, num lugar chamado Urros, onde a dureza da paisagem moldou não só a vida das mulheres, mas também a força e a resiliência que definem a sua obra. Com uma avó tecelã, que produzia os próprios fios de lã, linho e barbilho, e uma mãe que transformava fios em algo precioso e belo, a herança manual enraizou-se nela desde a infância. Aos cinco anos, criou a sua primeira "manta do cuco", uma peça que simboliza a sua iniciação no tricô e marca o início de uma jornada que une tradição, cultura e vida familiar.
Aos nove anos, quando se mudou para o Porto, levou consigo a paixão pelo desenho e pelo crochê, as suas primeiras formas de expressão e de relaxamento. Esta paixão guiou-a até à Escola Superior de Belas Artes do Porto, onde aprofundou as suas habilidades técnicas e educou o seu olhar artístico. A sua formação académica culminou na licenciatura em Arquitetura pela Universidade de Lisboa. A prática arquitetónica despertou nela o forte desejo de regressar ao mundo dos têxteis e do artesanato ancestral. Tornou-se mais consciente do consumo sustentável e da importância da ecologia nas suas obras. As criações e os materiais do Nordeste transmontano tornaram-se alvo da sua intensa reflexão.
Em 2020, sentiu o chamamento para regressar às suas raízes e iniciar um novo capítulo no seu trabalho artístico. As suas criações recentes, moldadas exclusivamente por técnicas ancestrais de transformação de fios, são um tributo vivo às suas origens. Nelas, explora a interseção entre o passado e o presente, evocando memórias coletivas e abordando temas relacionados com a história, a cultura, a arquitetura e a eterna relação do homem com a natureza. A sua paleta de cores, subtil e evocativa, utiliza tons terrosos e suaves para criar atmosferas emotivas e contemplativas, enquanto o uso expressivo da cor enfatiza elementos específicos, criando contrastes que intensificam o impacto visual das suas obras.
Em cada painel que cria, procura convidar o público a refletir sobre as suas próprias memórias culturais e a importância de preservá-las. Através da textura e visualidade, apela a uma experiência sensorial que invoca sentimentos de nostalgia, pertença e identidade.
Este é o seu manifesto: cada fio que transforma é um elo que liga o passado ao presente, a sua herança à criação contemporânea, numa constante celebração da cultura que a define.
Compromisso com a Educação Artística
Além da sua prática profissional e artística, tem trabalhado na defesa da educação artística e do acesso à cultura. Assumiu, desde 2010, a responsabilidade pelo programa musical Orquestra Geração, na Câmara Municipal de Lisboa, destinado a crianças do ensino público em situação de vulnerabilidade e das suas famílias. Hoje, este Programa é reconhecido pela sua estratégia de manifesto interesse educacional e social, capaz de combater o insucesso escolar; a discriminação e promover a diversidade cultural.
Enquanto formadora no clube têxtil criado no Museu Bordalo Pinheiro, em Lisboa, ensina a técnica de transformação de fios e aposta na transmissão do conceito de cultura e tradição. Através de uma abordagem que combina história, prática e sensibilização, realça o papel profundo que o artesanato desempenha na cultura portuguesa. Enfatiza a importância de manter tradições como o crochê e o tricô vivos, não apenas como um hobby, mas como uma forma de preservar e valorizar o legado cultural para as gerações futuras.
Exposições e prémios
2024
 - Certificado de mérito artístico – emitido pelo museu La Pinacothèque, do Grão-Ducado do Luxemburgo - Luxembourg Art Prize 2024
 - Formadora de arte têxtil do “Clube Têxtil Bordaliano” - Museu Bordalo Pinheiro Lisboa
 - "Instalação Têxtil sobre a Forma Feminina" no Cemitério dos Prazeres, Lisboa - evento integrado no Projeto "Bases” | Galerias Verticais |, da rede nacional [Portugal entre Patrimónios], promovida pelo Museu Nacional de Arte Contemporânea
 - Exposição São Flores na Galeria Howard’s Folly – Estremoz
2023
 - Exposição Raízes - Atmosfera M Lisboa
 - Exposição Raízes - Atmosfera M Porto
2022
 - Exposição Raízes - Junta de Freguesia de Carnide - Espaço Bento Martins, Lisboa
Publicações 
2025
Catálogo do projeto | Galerias Verticais|, da Rede Nacional [Portugal entre Patrimónios] - Museu Nacional de Arte Contemporânea.
2024
Publicação na Revista do Montepio - entrevista na seção Cultura da Revista do Montepio que celebra os 40 anos da sua primeira edição em papel
2022
Catálogo da exposição Raízes
Obras
Manta do Cuco (90 x 126cm) - 2019; Infância (90x140cm) - 2020; Jamaica (60x100cm) - 2020; Pântano de Anémonas Roxas (82x105cm) - 2020; Noite de Luar (50x80cm) - 2021; O Xaile (110x70cm) – 2021; Sons de Primavera (60x40cm) – 2021; Desígnios (212x136cm) - 2021; Imagem da Serra (90x140cm) - 2022; Memória da Serra (116x76cm) - 2022; Cores de Infância (60x35cm) - 2022; Rios de Mau Navegar (90x140cm) – 2023; Vestir do Ouro (190x125cm) - 2023; Porto XIX (55x55cm) - 2023; Aroma a Flor de Esteva (53x53cm) - 2023; Beleza Efêmera (78x81cm) - 2023; Cem Rosas (142x100cm) - 2024; Ir de Festa (92x92m) – 2024; Primavera no Japão (62x62cm) - 2024; Sevilha XVII (94x94cm) - 2024; Velha Goa XVII (104x104cm) – 2024; Lisboa XVII (85x85cm) – 2024; Coral Cliping (65x110cm) - 2025
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